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Ago 09

 

Implementar e defender o regionalismo
 
A Casa das Beiras (CB) é uma das mais antigas instituições regionalistas constituídas em Lisboa. O seu historial começou no dia 5 de Outubro de 1911 quando um grupo de amigos de Vouzela, com outros naturais daquela região, se reuniu na capital portuguesa e criaram o “Grémio Lafonense”, que inicialmente deveria abranger os concelhos de Vouzela, São Pedro do Sul e Oliveira de Frades.
Essa associação tinha então como principais objectivos as actividades recreativas e a confraternização entre os seus membros, promover instrução, assistência e apoio aos seus associados, divulgar as respectivas regiões e fazer a defesa dos seus legítimos interesses. Terá sido a primeira associação verdadeiramente regionalista que se constituiu em Lisboa.
Decorridos três anos deu-se uma cisão no “Grémio Lafonense” e uma parte significativa dos seus associados deliberou então fundar o “Grémio Beira Vouga”, que passou a englobar os concelhos limítrofes do rio cujo nome adoptou.
A nova associação, inaugurada a 1 de Maio de 1915, procedeu à modificação dos estatutos de modo a abranger toda a velha Beira, tal como fora concebida até à reforma administrativa de 1834.
Entretanto, passado mais algum tempo, o “Grémio Beira Vouga”, por decisão dos seus sócios, transformou-se no “Grémio Beirão” passando a incluir na sua área social os distritos de Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda e Viseu, bem como alguns concelhos da parte nordeste do concelho de Leiria.
Em Outubro de 1920, ainda então sem sede própria e provisoriamente instalado numa dependência do denominado Centro Democrático Espanhol, tomou o Grémio a iniciativa de realizar o seu primeiro “Congresso Beirão” que decorreu na cidade de Viseu. Foi aí que se aprovou a tese de que a instituição se passasse a designar por “Casa das Beiras”, dado que “Grémio” podia inculcar a ideia de se tratar de entidade com finalidades mercantis ou outras não compreendidas, obviamente, mas que estatutariamente lhe cabiam.
Pode afirmar-se, assim, que a actual Casa das Beiras foi oficialmente fundada a 1 de Maio de 1915, sucedendo aos grémios Beira Vouga e Beirão sem perda de continuidade em matéria de actividades regionalistas. Hoje, tem como principais objectivos a divulgação das beiras e, de um modo geral, a aproximação e a solidariedade de todos os beirões residentes no país e estrangeiro.
A partir do ano de 1967, a casa das beiras tem a sua sede no 1º andar esquerdo da Avenida Almirante Reis, no nº 256 em Lisboa, depois de ter passado pelo 1º andar da Rua da Fé, pela Rua Ivens e mais tarde pelo palacete da Regaleira, no Largo de São Domingos.
Ao longo dos 94 anos da sua existência, que se completaram em Maio último, a Casa das Beiras tem desenvolvido importantes actividades, tendo passado pelos seus órgãos sociais ilustres beirões que têm contribuído para a divulgação dos valores históricos, etnográficos e arqueológicos das Beiras.
A sua actual direcção apresentou recentemente um ambicioso projecto de rejuvenescimento para a colectividade, no qual o novo elenco se propõe tomar algumas medidas inovadoras sobretudo para uma melhor organização administrativa, valorização da imagem e um melhor desenvolvimento da actividade social, nomeadamente na área da saúde e na implementação do “Projecto de Santa Catarina”, nascido de um oportuno protocolo estabelecido com a Câmara Municipal de Lisboa.
Foi precisamente Justino Sampaio, presidente da Casa das Beiras, quem respondeu a algumas questões colocadas sobre a temática do associativismo/regionalismo que no momento parece não passar pelos seus melhores momentos, com a maioria das casas regionais sedeadas em Lisboa a terem que enfrentar dificuldades.
A lista dos agora empossados órgãos sociais foi elaborada com a preocupação de assegurar uma ligação tranquila com o passado que muito nos orgulha, mas fundamentalmente pretende concretizar uma ligação à vida activa nas diversas áreas, nomeadamente autárquica, empresarial, académica e comunicação. O nosso projecto tem como objectivos fundamentais, relançar a Casa das beiras como embaixada económica - cultural, canalizando um conjunto de eventos e um projecto de oferta de serviços aos seus associados.
É conhecido que no inicio deste mandato a sua direcção anunciou ir implementar uma nova dinâmica para que a Casa das Beiras venha a efectuar uma análise e um estudo minucioso sobre a viabilização de uma antiga aspiração denominada “Projecto de Santa Catarina”, que nasceu de um protocolo já com cerca de quinze anos, estabelecido com a Câmara Municipal de Lisboa que terá cedido a Quinta de Chelas à instituição regionalista para que o Município lisboeta pudesse em troca recuperar o palacete da Regaleira. Esse assunto, que nunca foi “tabu” tem sido, como se sabe, de há uns anos a esta parte, tema obrigatório em todas as reuniões da Casa das Beiras. Porque se trata de uma obra, que a concretizar-se, envolverá valores muito elevados e determinará uma administração rigorosa justifica-se auscultar do seu actual presidente, se já tem alguma ideia definida sobre o futuro daquele espaço cedido pela autarquia lisboeta à casa das beiras, na perspectiva de que o actual elenco directivo vai mesmo avançar com a ideia, após o “stand by” de longos anos.
Partindo do pressuposto que a passagem pela Casa das beiras do elenco ao qual preside, conseguirá ultrapassar o obstáculo que até agora teve a duração de uma quinzena de anos, qual a sua previsão da importância que poderá vir a ter a instalação da prestimosa associação regionalista em espaço maior e, necessariamente, mais funcional e com outra dinâmica? E Quais serão as vantagens para as “casas” regionais já integradas na Casa das beiras?
Temos seguramente muito trabalho pela frente e o projecto que temos em mente não se executa rapidamente, mas tenho a convicção de que, se conseguirmos os nossos objectivos, damos uma “pedrada no charco” no que respeita ao papel que as casas regionais têm a desempenhar neste novo século, ou seja, não só os veículos de divulgação da tradição e espírito beirão, mas na capacidade de oferecer serviços de valor acrescentado aos seus associados e beirões em geral.
Neste sentido é intenção da Casa das beiras envolver e estender essa oferta às casas concelhias da nossa grande região e, em particular, àquelas que connosco têm activamente colaborado.
publicado por Casa das Beiras às 14:12
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